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O blog do Fabão

Jornalismo responsa

Posted by Fabão em 11 outubro, 2006

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Outro dia estava envolvido numa discussão na comunidade da EGM Brasil no orkut (é necessário estar logado no orkut para visitar a comunidade) e um dos usuários reclamões (não são poucos, mas outro dia faço um post sobre isso) afirmou que a revista podia fazer o que quisesse pois tinha monopólio no segmento. Tempos depois, somei respostas a várias reclamações em um único tópico, incluindo a devida réplica àquela declaração que achei tão… imprecisa, para não dizer falsa. Permita-me parafrasear-me:

“Ouvi dizer também sobre abuso de poder da EGM Brasil, por ser “a única revista de games de qualidade” no mercado, e por fazer o que quer, em detrimento da qualidade e a despeito de seus leitores. Em primeiro lugar, quem, dotado de um mínimo de bom-senso, poderia afirmar que a EGM Brasil é a única revista de games de qualidade no mercado? Eu tenho o maior respeito pelos brothers que trabalham na Editora Europa e na Digerati, e que dão o sangue como a gente para elevar o nível do mercado editorial de games brasileiro. Ouso dizer que as nossas publicações não ficam devendo em nada às americanas, européias e japonesas, levando, algumas vezes, vantagens sobre essas. E essa concorrência saudável é a responsável por criar esse ambiente de constante e rápida evolução. Todos ganham com isso. Então, sem essa de monopólio.”

Só uma breve observação: não citei quaisquer sites pois o assunto dizia respeito apenas a revistas. Que fique claro que respeito e admiro o trabalho dos amigos online.

De volta ao trilho… A respeito desse suposto monopólio, só posso dizer uma coisa: se fosse tão simples, não seria bom. Explico: a livre (e saudável) concorrência é que elevou o jornalismo de games a um patamar tão alto (como tende a elevar em qualquer segmento).
Tão alto que, como disse, ombreia a mídia internacional – melhor: supera a mídia internacional! A tão exaltada imprensa de games japonesa tem uma maneira toda particular de cobrir os jogos: suas chamadas de capa e previews mais parecem reproduções de press releases (para quem não sabe, press release é um texto que alguma empresa envia para a imprensa, lógico, apenas exaltando o seu produto). O grande foco das publicações nipônicas são os serviços (os populares detonados), e nisso eles são imbatíveis, mas falta profundidade para tratar o assunto – “videogame” não são apenas jogos. À imprensa americana, penso que falta um pouco de personalidade. Geralmente, leio textos burocráticos e frios (claro, há exceções, mas estamos falando aqui de aspectos gerais). Já o jornalismo de games brasileiro é diferente…
Diferente por que? Talvez porque tenha nascido sob as condições mais adversas possíveis. Não havia presença oficial de empresa de games alguma e tudo era difícil. Acostumado a batalhar por tudo e não contar com ninguém, o segmento cresceu e apareceu. Hoje, visitamos eventos de games no mundo todo e temos acesso a publishers dos quatro cantos do globo. Em contrapartida a essa internacionalização, temos uma crescente valorização do mercado nacional de games, com publishers instaladas por aqui, desenvolvedoras criando cada vez mais e melhor, cursos de design de jogos pipocando em todos os lugares e a iminência do lançamento oficial de um console em terras tupiniquins – tudo isso é uma fonte inesgotável de assunto para jornalistas da área.
Um outro motivo tem a ver com as características particulares do nosso povo: somos, nós brasileiros, perseverantes, criativos e bons-moços. Por essas e outras, temos um jornalismo de games maduro, que deixou o convencionalismo e saiu do eixo “review-preview-detonado-dica”, que levanta assuntos interessantes, que aborda a indústria de games e as pessoas que criam sonhos, que fala com leitores igualmente maduros, outrora (mas ainda) crianças jogadoras.
Vou evitar aqui citar nomes dentro dessa imprensa, na certeza de que minha memória cometeria injustiças em não-mencionados. Limito-me a dizer que há eminentes profissionais atuando em diversas frentes (seja online, seja impresso), gente de quem sou feliz de partilhar a amizade, gente boa o suficiente para deixar a concorrência para as corporações, gente que está fazendo um mundo melhor… Jornalistas de games brasileiros: parabéns e sucesso!

Voltando ao início do raciocínio, como seria chato o monopólio…

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12 Respostas to “Jornalismo responsa”

  1. É verdade Fabio, monopólio é uma coisa chata — a não ser pelo jogo onde sempre é bom vencer.
    Falando sério, é legal lembrar que nosso mercado é um misto de gostos. Existem leitores de todos os tipos e é difícil agradar a gregos e troianos, porém tentamos.

  2. Kenshin Br said

    Sem quere ser chato, mas já sendo, considero a EGM uma revista muito ruim, com muito pouco conteúdo, com matérias muito ruins, textos muito pouco sérios e escrito por, ao menos em boa parte das vezes, por pessoas que tem muito pouco conhecimento e um cabeça muito limitada. Enfim, muito muitos.

    É MUITO comum ver erros muito GRAVES (“grave” é pouco) na revista, como gente dizendo que o F-Zero GX não tem as pistas do F-Zero AX ou dizer que o GC vendeu 250 mil no seu primeiro mês no JP (e ainda por isso num gráfico comparado com os outros consoles), quando, na verdade, ele vendeu 300 mil na primeira semana. Ou ficar repetindo 6 vezes em duas páginas que o Final Fatasy CC do GC tem personagens “pivetes”, “pimpolhos”, “bebes que mal largaram a fralda”, quando este são, na verdade, adolescentes ou jovens adultos como em todo FF.

    Enfim, não tenho o menor medo de dizer que eu faria uma revista 10 mil vezes melhor facilmente. Não pq eu sou foda, mas pq a EGM é ruim MESMO.

  3. wk said

    Apoiado, apoiado!
    Votem nele!
    \o/

  4. Fabão said

    Se não é o Kenshin Br, grande contestador no fórum do UOL Jogos! Vejo que você tem uma imagem da revista baseada em argumentos um tanto quanto defasados. De qualquer forma, por favor, entre em contato comigo. Eu sou o primeiro interessado em tornar a revista “10 mil vezes melhor”. Se for “facilmente” então, melhor ainda.

    Abraços,

    Fabão

  5. oswaldo said

    Kenshin é esse?

    http://www.animehaus.com.br/ffurymov/ffurymov.html

    Até minha vó faria MUUUUUUUUUUUITO melhor que ele.

  6. Talvez por não ter presenciado tão de perto o difícil nascimento desse tal “jornalismo de games brasileiro” (e de modo algum falo isso no sentido pejorativo), e também por não ser o que se pode chamar de “apreciador” do Brasil (na verdade não é segredo pra ninguém que eu não gosto muito desse país), eu ainda tenha essa mentalidade errônea de que nada que é feito no Brasil (exceto os clichês samba-caipirinha-mulata-futebol) pode ser superior ao que é feito lá fora.

    Por isso gostei tanto de ler esse texto, Fabão. Aliás, por que tu não escreve um livro a respeito? Já li dois ou três livros sobre o surgimento do rock brasileiro, fiquei sabendo de mais uma dúzia, fora os livros sobre o nasciemnto de várias outras coisas no Brasil, como a TV, o rádio, o futebol, o próprio país… Por que não há um sobre o nascimento do jornalismo de games? Aposto que há muitas histórias boas a serem contadadas, e quem melhor do que um cara que está há 11 anos no ramo para contá-las? Eu dou todo o meu apoio!

    Voltando a falar sobre o teu texto, queria só terminar dizendo que ele só me deixou mais e mais empolgado para crescer nesse ramo. O que não falta nele são pessoas legais e com boas histórias como tu e mais alguns quantos. Quero me tornar uma dessas. 🙂

    E, antes que tu estranhe, deixa eu te contar: várias vezes eu já fui comentar no blog de outras pessoas e, vendo o tamanho que o comentário adquiriu, resolvi tranformá-lo num post do meu próprio blog. Eu sou assim. Se o assunto é interessante, eu me demoro o tempo (e as linhas) que precisar.

    Abraço!

  7. E como se apenas um comentário gigante não fosse suficiente, lá vai outro.

    Matou a pau com a resposta a esse tal de Kenshin_BR, Fabão. Não conheço o cara, já que não sou de frequentar Orkut, mas apostaria um Wiimote (bah, a quem estou tentando enganar?) que ele não passa de um cara que gostaria de estar fazendo o que tu faz. Nada mais justo do que deixar ele te “ajudar”, né? Me conta se ele te responder mesmo… 😛

    Outro abraço!

  8. Pablo said

    Polêmicos!

  9. Gyanni Segundo said

    A ideia do Fabio Bracht de fazer um livro é realmnte muito boa. Ainda mais pra você, que escreve tão bem. Se tu fizer um livro, pode ter certeza que compro. =]

  10. Fabão said

    Amigos, revelo que escrever um livro sobre a história do videogame no Brasil é um dos objetivos da minha vida, daqueles que não têm data para acontecer, mas que eventualmente se tornam realidade. Mas valeu pelo feedback!

    Abraços,

    Fabão

  11. Quando você fizer esse livro, Fábio, me avise pois gostaria de ajudar também.

    Falow!

  12. Ronaldinho Gaúcho said

    Nota para o post do Kenshin: 68% (?!)

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