Gamer Lifestyle

O blog do Fabão

Revistas de games ontem e hoje

Posted by Fabão em 16 outubro, 2006

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Outro dia estava me lembrando de uma entrevista que eu dei em julho de 2005 para os caras da Revista RPG, uma excelente revista online sem periodicidade definida sobre RPGs feita por uma equipe muito talentosa e publicada no fórum do UOL Jogos. Naquela ocasião, eu ainda era o editor da SuperDicas PlayStation, e estava cedendo uma entrevista para a terceira edição da Revista RPG, sobre minha vida como editor de revistas de games. A entrevista foi conduzida pelos amigos Thiago Nunes (Kefka Extreme) e David Saraiva (Masamune), que, inclusive, já tiveram textos publicados na SDP. A certa altura, eles me perguntaram sobre as diferenças entre fazer revistas de games na época em que comecei e atualmente (bem, hoje nem tão atualmente)… Enfim, tomo a liberdade de transcrever esse trecho da entrevista:

Masamune: Quais as maiores diferenças na publicação de uma revista de games entre hoje e a época da Gamers?
Fábio Santana: Nossa! É MUITO diferente! Na época em que comecei a trabalhar na Gamers, como já disse, eu tinha que fazer a revista sozinho, inclusive tinha que diagramar um pouco. Com o passar do tempo, fui aprendendo mais e mais sobre design e dominando melhor os softwares, e isso acabou virando um padrão: quem escrevia a matéria, também diagramava as páginas dela. Agíamos muito por improvisação e tínhamos uma abordagem muito mais de fãs que de profissionais. Como um estúdio externo e independente que fazia revistas para a editora Escala, tínhamos pouca verba, mas muita disposição.
Hoje eu trabalho numa grande editora, onde fazemos produtos que envolvem diversos departamentos e muitos níveis organizacionais. É uma outra estrutura, outra realidade. Hoje temos uma excelente repercussão lá fora, inclusive, por publicarmos a edição brasileira da EGM e por termos a revista oficial da Nintendo no Brasil, entre outros fatores. Isso nos dá regalias como conversar com produtoras no exterior para conseguir materiais exclusivos, notícias em primeira mão, entrevistas com criadores de games, etc. Podemos visitar eventos de games no exterior – esse ano, pude ir para a E3 pela primeira vez!!! Tem coisa melhor que isso?
Na Gamers não tínhamos nada disso, mas acredito que cada realidade tenha seus aspectos positivos. Naquela época, eu tinha muito mais tempo para jogar, de fato experimentava tudo aquilo sobre o que escrevia, terminava vários games… Hoje, leio muito mais a respeito dos games do que os jogo de verdade, como gostaria. Não sobra muito tempo para eu exercitar essa minha paixão. Como editor da SuperDicas PlayStation, sou encarregado de tarefas muito mais burocráticas, reuniões, contatos por telefone, dezenas de e-mails por dia… As responsabilidades são inúmeras! Mas continuo gostando do que faço!
Hoje tenho toda uma estrutura para me dar suporte, temos departamentos para cuidar de assuntos específicos e nos livrar de preocupações não relacionadas à produção de revistas – não tenho mais que diagramar matérias, por exemplo, apesar de continuar curtindo muito me aventurar nessa área. Temos verba para gastar em coisas bacanas para melhorar as publicações, podemos estudar brindes legais, organizar promoções. Fora que temos reunidos na redação alguns dos maiores talentos no segmento no Brasil. É um prazer trabalhar ao lado de figuras como Pablo Miyazawa, Eduardo Trivella, Jocelyn Auricchio, Ronaldo Testa, além de vários outros que já passaram por aqui, como Felipe Azevedo, Ronny Marinoto, Eric Araki… Aprendi MUITO com essa gente, e continuo absorvendo técnicas, conhecimento e sapiência cercado de tantos talentos!
Voltando ao cerne da questão, outra coisa que acredito que tenha mudado bastante foram as oportunidades de ingressar no ramo. Como o jornalismo de games já está consolidado e as publicações do segmento já estão bem estabelecidas, é muito mais difícil de entrar no mercado hoje do que quando comecei a trabalhar com revista. Duvido que hoje eu teria uma oportunidade como aquela. A realidade é outra, o mercado é maior e as exigências são muitas: faculdade, conhecimento especializado, experiência no ramo… As portas, infelizmente, estão muito fechadas para a revelação de novos talentos. Sei que tem muita gente boa por aí dando sopa, mas hoje as empresas gigantes dificultam o desabrochar dessas sementes promissoras. Uma pena, realmente.

Ok, desde a entrevista, quase um ano e meio se passou, amigos deixaram a Conrad/Futuro (mas não deixaram de ser amigos), eu me tornei editor da EGM Brasil e hoje sinto que as coisas são ainda diferentes de quando eu estava à frente da SDP.
Para começar, mais responsabilidades. O público é muito mais variado e mais exigente (alguns até chatos, o que me motivou a fazer o post anterior, mas esses são excessão). A revista é licenciada, mas é necessário equilibrar conteúdo americano (apenas o que é mais interessante e melhor se adapta aos gostos brasileiros) e original (o que dá um trabalhão pra fazer). É preciso elaborar pautas criativas e relevantes, fugindo do arroz-com-feijão dos previews-reviews-notícias. Notícias? Foi-se o tempo em que revistas eram fonte delas. Hoje tem a internet, e quase todos têm acesso a essa tal “vilã”, que nos obriga a matutar para criar uma diferenciação, buscando matérias que atraiam mesmo os que internautas muito bem inteirados das notícias diárias do mundo dos games. Por isso é importante manter contato direto com as produtoras lá fora, para descolar alguma exclusiva ou entrevistas bacanas.
Sim, muita coisa mudou desde os tempos de Gamers de 64 páginas a R$ 2,90 e detonado de Final Fantasy VII japonês em cinco edições (se bem que colaborei com o Douglas Pereira no detonado de FFXII japa em três edições da SDP recentemente), mas o entusiasmo continua o mesmo. Afinal, esse mercado se renova e minha paixão pelos games jamais vai morrer – daí o título do meu blog, que nem demorei muito para decidir, já que, para mim, ser jogador é realmente um estilo de vida. E deixa eu ir acabando o post por aqui que tem mais revistas pra fazer…

Como bônus, seguem os links para baixar as três primeiras edições da Revista RPG em PDF. Leitura recomendadíssima!

Revista RPG #01
Revista RPG #02
Revista RPG #03

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18 Respostas to “Revistas de games ontem e hoje”

  1. Douglas said

    Belo pensamento ^^ Realmente, os tempos são outros, e deve ser bem difícil equilibrar a paixão megalomaníaca do amadorismo, de querer fazer tudo, com a realidade do profissionalismo e encarar verbas, burocracias e leitores chatos ^^ Mas é fato que hoje o trabalho é muito mais bem feito… e seria melhor se os dias tivessem 30 horas! ^^
    E sim, ser um gamer é um estilo de vida, e eu adoro isso ^^

  2. Gyanni Segundo said

    Opa! Beleza, Fabio?

    Pois é, o mercado de trabalho pode ter ficado mais complicado para a área do jornalismo de games, mas, em compensação, os profissionais da área são melhores preparados.

    Me aguarde, daqui alguns anos estarei trabalhando com você na Futuro. =]

  3. Que coisa, hein?

    Quem diria que agora, na época do profissionalismo e das revistas sérias, os tais “profissionais” ficariam sem tempo e, de certa forma, sem prazer de jogar um bom game.

    Experiência própria. Trabalhar com jogos é muito estressante.

    Fico triste pelo editorial mercado fechadíssimo. Mas pelo menos consigo experiência em outras áreas ligadas a games.

  4. Cara, lendo esse texto eu senti mais ainda como sou sortudo de ter conseguido cavar a minha própria oportunidade, à base de muita insistência e uma certa chatisse. 🙂

    Fabão, os teus posts (e editoriais também, aliás) sempre me fazem SENTIR alguma coisa. Isso é foda. Valeu.

  5. Murilo(Vampire) said

    Realmente, Bracht está certo sobre o Fabão.
    Usando o gancho do Gyanni e do Bruno Alexander Zerbinatti, o mercado é fechado, mais a minha insistência é muito maior nesse caso. Não irei descansar, enquanto, não trabalhar com pessoas como: meu amigo Fabão, Guerra, Farah, Bueno e outros estrelas da equipe Futuro Comunicação.

    A VERDADEIRA INSISTÊNCIA É: Em 2004, EGS, Conrad Editora, junto a equipe EGM Brasil, ganhei meu curso sobre Seminário de Games pela Educine.
    Resumindo, Bolsa 100% do curso e entregue pelo meu amigo e ilustre Jornalista Fabio Santana.

    Agora, em 2005, EGS, Futuro Comunicação, ganhei do Jô em Soul Calibur III, ganhei a premiação do Faure ao conseguir os nomes das pessoas nos estandes, e fiz 201 vítorias jogando NGBC (Mr. Karate e Geese Howard).

    Finalmente 2006, estudando Comunicação Social – Jornalismo, aguardo ainda com insistência a minha chance de aparecer na mídia de games pela Futuro Comunicação.

    Rs…Essa é minha insistência.

  6. Murilo(Vampire) said

    Ainda insistindo, em 04 e 05, ganhei diversos brindes do meu amigo (Fabão) ao participar das suas perguntas em plena EGS…Good times…

    Espero de verdade, sua leitura sobre o que eu escrevi.

    OBS: Não se irrite com KenshinBr, ele é meio estouradinho (rs…) mais é uma pessoa de bom coração. Não o leve tão a sério, você é muito bom no que faz…Acredite, na verdade, não imagino você fazendo outra coisa na vida…Rs…

  7. Eric Ietsugu said

    Olá Fábio, venho acompanhando seu trabalho desde a época da Gamers, no fim da década de 90. Concordo com tudo o que você falou, exceto uma coisa: eu tinha muito mais prazer de ler a Gamers do que tenho lendo EGM.

    Vou te explicar porque: dava para SENTIR, naquela época, que as matérias eram escritas com o coração, de fã para fã mesmo. Aquelas tabelas de itens, traduções, humor refinado, nunca mais encontrei em nenhuma outra revista. Gostava muito também daqueles mini-fanfictions antes de cada matéria, ajudava muito o leitor a se ambientar. O ápice foi a Book 1, claro, pra mim a melhor publicação brasileira de games de todos os tempos.

  8. Eric Ietsugu said

    Acho que esse romantismo se perdeu. Os textos não me transmitem mais aquela sensação de outrora. Não estou querendo te criticar – o problema é que o mercado de games (e o editorial consequentemente) virou uma enorme indústria, implacável, onde não há mais espaço para os pequenos.

    Enfim, para mim a Gamers é referência, é lendária. Talvez eu seja mais uma das viúvas das Gamers :D. Acho que estou ficando velho. No mais, continue com o ótimo trabalho, a matéria de FFXII ficou demais, com todas aquelas tabelas e kanjis! 😛

    Abraços de um leitor antigo.

  9. Um projeto de interesse de todos os blogueiros WordPress. Você é top 100 e vai se interessar!

    Veja aqui: http://byebyeboingboing.wordpress.com/

    Diga-nos o que acha,sugestões e críticas!

  10. Belo post!

    Deixe-me comentar um trecho:

    “É preciso elaborar pautas criativas e relevantes, fugindo do arroz-com-feijão dos previews-reviews-notícias. Notícias? Foi-se o tempo em que revistas eram fonte delas. Hoje tem a internet, e quase todos têm acesso a essa tal “vilã”, que nos obriga a matutar para criar uma diferenciação, buscando matérias que atraiam mesmo os que internautas muito bem inteirados das notícias diárias do mundo dos games.”

    Sábias palavras! Isso me fez lembrar de um texto que escrevi, certa vez, eu meu blog. Gostaria que desse uma conferida: http://aget-together.blogspot.com/2006/09/revistaria-e-internet.html

    Esperto é quem degusta e aproveita o que ambos os meios (a revista impressa e a internet) tem a oferecer!

    Um grande abraço.

  11. Fabão said

    Excelente texto, Ricardo! Obrigado pelo comentário!

  12. O que o Eric disse leva o jornalismo brasileiro mais próximo ao que é uma Famitsu do que a uma EGM propriamente dita.

    Ou seja, na época da Gamers a gente lia (e vocês faziam) revistas seguindo a tendência japonesa, com detonados destrinchando completamente os jogos e análises mais subjetivas.

    O estilo americano sempre foi mais profissional, e isso leva os textos a ficarem mais… frios. Ainda assim, ainda gosto (bastante) das análises brasileiras na EGM, pois sempre ficam bem pessoais.

    O que falta no mercado hoje, e não só no Brasil mas em todo o mundo, é aquele crítico estilo de cinema. É difícil você escrever sobre um jogo como um crítico de cinema, de arte ou de música escreve sobre esses respectivos assuntos.

    Parte dessa culpa vem dos próprios gamers (e leitores), que esperam e apreciam textos técnicos. Sem querer parecer chato ou preconceituoso, mas creio que a grande massa de leitores gamers não possuem um pensamento que entenda e goste de textos mais artísticos e menos técnicos e diretos.

    Na verdade, o que sobra a esse pessoal é cérebro – ora, eles entendem muitos termos bizarros. E exatamente por isso, por essa inteligência invejável, que muitos torcem o nariz para algo mais crítico.

    Ou você é um fresco, ou é um nerd.

  13. Renatinho-- said

    CACETA!! O Fabão escreve pra carai até em blog… pobre teclado…

  14. †Hyoga†War† said

    Hmm, interessante. O mercado de revista fecha, o de desenvolvimento de jogos abre. Mundo confuso esse, rs.

  15. Alexandre said

    Fabão eu estou rodando muuuito pela net pra conseguir o detonado de final fantasy japones, vc poderia me arrumar? Se sim, manda pro meu e-mail. Abrigado

  16. Olá,

    Meu nome é Régis Coimbra moro em Paris, e além de outros serviços que faço, trabalho também como fotógrafo freelance, na noite do dia 16, houve aqui na avenida Champs-Élysées o lançamento mundial do jogo “World War Craft”, tirei algumas fotos que talvez interesse a revista, se quiser consultar as fotos estão no endereço: http://www.13artes.com/warcraft.htm

    Já tenho fotos publicadas em diversos jornais e revistas, são 73 fotos e 5 pequenos filmes. Se interessar, entre em contato comigo para fazermos a comercialização.

    Atenciosamente

    Régis Coimbra Sanghim
    http://www.13artes.com

  17. Cris said

    Pois é amigo…o mercado editorial está passando por uma revolução…muita coisa está mudando….

    No meu blog (http://revistasdacris.blogspot.com) comento sobre algumas revistas,e a cada dia temosmais lnçamentos…de todos os assuntos…vamos ver se o mercado absorve tudo isso…

  18. Henrisson Raphi said

    Olá, sou aficcionado pelo mundo dos video games desde o Odyssey, já tive todas as plataformas, tenho 31 anos e nunca deixei de jogar e ler tudo a respeito.Meu sonho, é ser editor de revista ou site relacionado a games, apesar de me formar em Direito pela Universidade Tiradentes em 2005, gostaria de trabalhar no que me dá prazer, mesmo sabendo que o salário é inferior, mas a realização pessoal de fazer o que se gosta acaba compensando.Se alguém puder me dar uma força, nesse início de carreira, serei eternamente grato.

    E-mail para contato: hraphi@globo.com

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