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Íntegras: The World Ends With You (Review, NDS) [NGamer Brasil 11, 05/2008]

Posted by Fabão em 19 maio, 2008

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The World Ends With You

Temática urbana e criatividade revitalizam um gênero em crise

Sistema: Nintendo DS
Produção: Square Enix
Desenvolvimento: Square Enix/Jupiter
Lançamento: 21 de abril de 2008 (EUA)
Mais: http://www.theworldendswithyou.com/

Esqueça as tramas de capa e espada. Coloque de lado aquela história de heróis salvando princesas de dragões. Nem pense também na tão desgastada temática futurista. Batalhas por turno, menus intrusivos, armaduras medievais, mundos expansivos, veículos fantásticos, diálogos convencionais… Limpe sua mente de elementos tão triviais dos JRPGs, pois The World Ends With You teve precisamente esse desapego ao abandonar as convenções do gênero.

Lançado no Japão como It’s a Wonderful World, o jogo é o experimento de uma nova geração de designers da Square Enix, orientada de longe pelo polivalente Tetsuya Nomura. E só poderia mesmo ser um desses arroubos da mocidade. World é um atípico RPG de ambientação contemporânea, temática urbana e espírito adolescente. Do início ao fim, em todos os aspectos, o jogo transpira atitude e gravita em torno do universo de interesses da plural juventude nipônica: música, moda, cultura, alimentos e conflitos existenciais.

Continue a ler depois do “Leia mais”…

Um mundo maravilhoso

Não poderia haver recorte mais apropriado para ambientar a narrativa: Shibuya, bairro pop de Tóquio, vanguarda da moda no oriente, personagem em si mesma.

A caracterização do mundo do jogo é uma equação equilibrada entre verossimilhança e caricatura. Os pontos turísticos estão todos lá: a estação de trem, o cruzamento em frente à estação, a praça com a estátua do cão Hachiko, o Shibuya 109 (aqui 104), centro de compras da alta moda mundial. Porém, a estética é exagerada, as perspectivas inusitadas, os ângulos bem planejados.

Mais que cenário de fundo, o mundo virtual pulsa com vida. As ruas de Shibuya são lotadas de pedestres que ilustram a diversidade cultural daquele pedaço de terra. As tribos típicas japonesas e suas idiossincrasias estão representadas: gothic lolitas, schoolgirls, gyarus, decoras…

A vida por um fio

É nesse mundo conturbado que conhecemos Neku, o adolescente presunçoso, egoísta e misantropo que protagoniza o jogo – o herói arquetípico da Square Enix. O elenco, aliás, esbanja tipos clichês, de aliados a vilões, mas é na relação deles com o mundo – mais especificamente nos contrastes – que a narrativa ganha vida.

O jovem insociável desperta em Shibuya e descobre que pode ouvir os pensamentos dos transeuntes. A habilidade parece irradiar da insígnia que ele carrega. No celular, uma mensagem: “Vá para o [prédio] 104. Limite de tempo, 60 minutos. Falhe e será eliminado. –Os Ceifeiros”. Neku não tem outra opção senão mergulhar cada vez mais fundo no jogo e descobrir que outros estão na mesma corrida, vendo-se compelido a trabalhar em equipe para não morrer. É uma premissa desgastada, mas o desenvolvimento da trama oferece temperos que dão sabor surpreendente ao enredo.

As batalhas acompanham a não-convencionalidade do jogo. Seus inimigos são sapos, morcegos, ursos e outras criaturas em estética que explora a arte tribal. Na tela de toque você controla Neku usando somente a stylus. Cada insígnia equipada confere uma habilidade ao garoto, e há 304 espalhadas pelo jogo. Na tela de cima, você controla a companhia de Neku, usando exclusivamente o direcional para escolher rotas de ataque. É possível controlar as duas telas simultaneamente, ou deixar uma delas sob o controle da I.A.

A ambientação dá ensejo, ainda, a um sistema ousado: a moda na jogabilidade. Em vez de equipar armaduras, roupas e acessórios incrementam seus personagens. Cada área de Shibuya tem um uso em voga, e adequar-se garante bonificação nos combates. Ou você pode ditar a moda e ver a cidade copiando seu estilo.

A qualquer momento você pode mudar o nível de dificuldade das batalhas. É possível também reajustar o nível de seu herói: se estiver no nível 30, por exemplo, pode deixar as coisas mais difíceis arrastando a barra para o nível 15 ou 20. Quanto maior o desafio voluntário, melhores os prêmios deixados pelos inimigos.

Até o fim do mundo

Se você superar alguns recursos batidos de enredo, poderá curtir um mundo fascinante e um jogo variado em sua longa extensão – que pode ir de 20 horas para a conclusão da trama até mais de 100 para o cumprimento de todas as tarefas. Ao terminar o jogo, o revigorante New Game+ está disponível, proporcionando desafio extra e um epílogo conclusivo.

A pujança típica de uma equipe de desenvolvimento jovem foi determinante para dar a World uma personalidade muito marcante e uma jogabilidade intensa. É um RPG com um frescor que há muito o Japão não nos dava.

O QUE É
RPG de ação ambientado em distrito de Tóquio. Os protagonistas cumprem missões sucessivas num jogo para evitar a morte.

VISUAL
É a plena realização do 2D, expressando bem a arte urbana contemporânea. Os sprites, porém, poderiam apresentar mais detalhes.

ÁUDIO
É uma aventura mais musical que visual. Ao todo são 30 faixas que passeiam pelo hip hop, eletrônico e rock, muitas delas cantadas.

JOGABILIDADE
As batalhas em duas telas intimidam a princípio, mas logo pega-se o jeito. As mecânicas cosméticas é que são o verdadeiro charme.

INOVAÇÃO
Tirando a falta de criatividade no enredo e personagens, o título esbanja novas idéias em seus diversos mecanismos de jogo.

RESUMO
Na pior das hipóteses você vai aprender um pouco sobre o alvoroçado estilo de vida do jovem nipônico. Na melhor, terá dezenas de horas de distração gratificante.

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4 Respostas to “Íntegras: The World Ends With You (Review, NDS) [NGamer Brasil 11, 05/2008]”

  1. bueno said

    Então essa várzea voltou à ativa? Parece que sim.

    Passou da hora de bloquearem o WordPress no Brasil FTW…

  2. Fabão said

    Indiana Jones, Rocky, Thriller, Kid Icarus, Internet Explorer… É a onda de revivals. Aproveitei e dei uma chacoalhada nessa joça também. 😛

  3. Maiquinho said

    eu ja tinha lido na revista :p

    eu vi tanta pagação de pau pra esse jogo nos sites gringos q pensei em jogar o game na hora. mas eu tava esperando o review de algum critico brasileiro da minha confiança, e esse texto me clareou melhor a percepção sobre o jogo

  4. Uehara said

    Quando saíram as primeiras notícias sobre enredo e arte, na hora me deu vontade de jogar. O problema é que estou sem a menor paciência pra jogar RPG. Parece que o sistema de batalha desse jogo pode resolver um dos meus dois problemas.

    O outro é que eu não tenho um DS. =(

    Esse jogo e o Sonic Chronicles estão me dando coceira na mão pra comprar um portátil…

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