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Íntegras: Lair (Review, PS3) [D&T PlayStation 105, 10/2007]

Posted by Fabão em 6 julho, 2008

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Eu respeito Julian Eggebrecht e seu pessoal da Factor 5, não apenas pela trilogia Rogue Squadron mas também pelos clássicos Super Turrican 1 e 2 do Super NES (com músicas do pouco mencionado alemão Chris Hülsbeck). Porém, uma mancha em seu currículo é o controverso Lair, o jogo de PS3 que prometeu horrores e cumpriu pouco. Dizem que saiu uma atualização na PlayStation Network no dia 15 de abril deste ano, quase oito meses após o lançamento, que permite jogar com as alavancas analógicas e adiciona suporte a rumble para quem tem DualShock 3. Acho que foi mais um pedido de desculpas, mesmo que tardio, do que uma tentativa de salvar o jogo, já que o estrago estava feito. Tenho curiosidade em saber se o controle realmente mudou o jogo como alguns afirmam (uns mais entusiasticamente que outros), mas não tenho a menor vontade de ir atrás dele novamente e baixar a tal atualização. Alguém aí já experimentou os novos controles?

Também fico imaginando o que a Factor 5 estaria fazendo neste momento. Boatos apontam para Kid Icarus para Wii, mas também já falaram de Pilotwings no passado. Pelo jeito, a nova aliança é mesmo de volta com a Nintendo (mas ainda tenho uma esperança infantil de que seja um novo Turrican), e o produto deve ser anunciado na E3 2008, que está a meros oito dias de acontecer.

Enquanto o evento não chega, fique com minhas impressões de Lair, de quando ele só sabia bater asas com manobras sixaxianas. Depois do “salto”.

Lair

Uma obra técnica arruinada por controles horríveis

Sistema: PlayStation 3
Produção: Sony Computer Entertainment America
Desenvolvimento: Factor 5
Lançamento: 30 de agosto de 2007 (EUA)
Mais: Site oficial

Quando um produtor pede para os jogadores terem a mente aberta e o manual do jogo recomenda que se “gaste algum tempo para se acostumar com os controles únicos”, algo está muito errado. No caso de Lair, estas orientações suspeitas são apenas a ponta de um iceberg tenebroso, que inclui declarações do produtor Julian Eggebrecht sobre “assombrações” atrapalhando o desenvolvimento do jogo. Mas não há desculpas: Lair é mesmo uma aberração, em grande parte por causa desses “controles únicos”.
O desenvolvimento é da Factor 5, estúdio respeitado pela excelente trilogia Star Wars: Rogue Squadron nos sistemas Nintendo. Porém, agora sob a produção da Sony, parece que a equipe sofreu com prazos apertados e conceitos impostos.
O jogo mescla combates aéreos e terrestres a bordo de um dragão. O mundo de fantasia medieval e o clima épico lembram O Senhor dos Anéis, a trilha sonora tem clara influência de Guerra nas Estrelas e a estrutura de jogo (dividido em missões, guiado por objetivos) é herança dos Rogue Squadrons.
Para controlar sua montaria voadora, é preciso inclinar o Sixaxis para os lados. Um pequeno giro para frente no controle faz o dragão descer, e para trás faz com que ele suba. Até aí, nada de mais. Logo você se acostuma e passa pelo tutorial obrigatório. O problema é quando começam os combates e 1) você não tem um radar para saber onde estão os inimigos; 2) os indicadores na tela são muito sutis e não há uma noção clara de quando você está recebendo dano (que saudades do rumble!); 3) a câmera é controlada através das alavancas analógicas; 4) a seta que deveria indicar seu destino muitas vezes leva a lugar nenhum; 5) mover o dragão balançando o Sixaxis em meio a essa bagunça é um desafio sobre-humano; e 6) ainda nem mencionei os comandos para atacar, mirar, acelerar, frear, pousar etc. Esse pandemônio só fica pior quando o jogo não consegue diferenciar (ou mesmo reconhecer) os movimentos de turbo (uma chacoalhada para baixo) e virada de 180° (uma chacoalhada para cima).
Uma opção para controlar o dragão através da alavanca analógica talvez resolvesse a confusão, mas tal opção não existe – e nada tira da minha cabeça que a Sony impôs essa configuração para os desenvolvedores, para usar Lair como vitrine para o Sixaxis e seus sensores de movimento.
Os gráficos são perfeitos… nessas telas que você está vendo aqui na página. Ao vivo, a coisa muda de figura. Quedas de frames são constantes, os ambientes amplos são genéricos demais, as sombras são entrecortadas e o mip-mapping (troca de texturas de acordo com a distância do objeto) é brusco. Quando tudo está certo, o jogo roda a 30 quadros por segundo, e novamente uma jogada de marketing afeta o jogo: Lair é um dos poucos títulos que rodam em 1080p nativamente e, se a Sony permitisse o 720p como padrão, certamente veríamos Lair a suaves 60 fps.
O jogo é bem-intencionado – tem um interessante sistema de medalhas que concedem upgrades, três dragões com diferentes atributos, som em 7.1, trilha sonora orquestrada e até um ranking online –, mas foi amaldiçoado… Não por fantasmas, como Eggebrecht quer nos convencer, mas por más decisões (ou imposições) de design.

<<<box>>>
Melodia do dragão
A Sony não economizou para fazer a trilha sonora de Lair. O compositor é o renomado John Debney, autor de trilhas para Hollywood como Sin City, A Paixão de Cristo e Fim dos Dias. A execução é da Orquestra Sinfônica de Londres. E tudo foi gravado no lendário Abey Road Studios, em Londres, que ganhou fama por ser o estúdio de gravação dos Beattles. No teste de som do jogo (Extras, Concert Hall), você pode ouvir as faixas em 48 kHz e 24-bit de som – qualidade acima do CD, ideal para quem tem um home theater.

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6 Respostas to “Íntegras: Lair (Review, PS3) [D&T PlayStation 105, 10/2007]”

  1. Me falaram que, após baixar a atualização, Lair se torna um jogo bom.

    Eu não tive a chance de jogar com o Patch, mas me arrependi de tentar jogar no “Sichachis”…
    Achei o jogo bonito, bem bolado e com um som realmente muito bom. Pena que foi um disperdício. Se os controles do game foram realmente arrumados com o Patch de atualização, eu jogaria novamente.

  2. Dragon Maxpower said

    Aluguei Lair semana passada e baixei a atualização
    Joguei ate quase o fim do jogo mas desisti por causa de todos os problemas ja relatados no review.
    Mesmo com os controles analogicos, algumas fases sao extremamente irritantes. Por exemplo as fases onde tem que ajudar seu exercito. É muito comum vc levar um game over mesmo se seu exercito estiver massacrando o inimigo
    Uma pena, pois os graficos do jogo sao uns dos melhores que vi no ps3 juntamente com uncharted

  3. Maiquinho said

    produção lá em cima
    jogabilidade lá em baixo

    ta se tornando comum isso
    oremos pela E3, que seja boa :p

  4. Pois é amigos ou a Factor 5 dá uma revisada em seus conceitos ou vai continuar com nome de perfume alternativo.

    Eheh

    Ok.. essa foi péssima eu admitio!

    Até mais.

  5. Esse era um dos jogos que me faziam desejar um PS3, quando tudo ainda era rumor e boato de E3.

    Quando ele saiu, foi de longe a maior decepção que tive.. Não só pelos tais controles ruins, mas pelas limitações que o jogo possui.. Parece tão sem graça.

    Ó, roda em full true mega haigidefinitchiom! Mas e daí se o jogo é chato e o chefão final é uma torre?

  6. Intentor said

    Uma pena: tanto potencial desperdiçado por uma falha execução (possivelmente imposta).

    É por essas e outras que o PS3 passa vergonha frente aos concorrentes…

    E, Fabão, excelente análise. Captou a essência do game (e seus problemas). Parabéns!

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