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O blog do Fabão

Íntegras: Máquina do Hype [GameMaster 43, 08/2008]

Posted by Fabão em 25 agosto, 2008

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quem precisa de 100 telas?
Team ICO insinua próximo projeto: quem precisa de 100 telas?

Máquina do Hype

Como os excessos de publicidade podem prejudicar nossa experiência de jogo

“Tradução não é uma ciência exata”, disse, sabiamente, um amigo meu. Louis Hjelmslev, lingüista dinamarquês, afirmou que cada língua ordena a realidade de uma maneira distinta. O fato é que nós, brasileiros, não temos uma palavra para o termo de origem americana “hype”. Pode-se falar em “exagero”, “badalação”, “alarde”, mas nenhuma palavra, sozinha, sintetiza, com exatidão, o conceito carregado pelo termo original. É preciso explicá-lo em uma construção mais extensa: “propaganda ou discussão na mídia dizendo, ostensivamente, ao público o quão bom ou importante é algo”. Seria algo como “publicidade exagerada”. No âmbito dos jogos eletrônicos, a máquina do hype é bem conhecida, pois é a ferramenta de muitas empresas para alimentar, com seus excessos, o interesse do público.

Durante uma reunição de investidores em maio deste ano, Satoru Iwata, o presidente da Nintendo, ilustrou muito bem o problema: “Sentimos agora que as informações estão sendo consumidas e tornadas obsoletas mais rápido do que nunca. Quando penso na situação atual como um consumidor, quando sou exposto a novas informações cedo demais, sinto que já estou cansado do produto quando ele finalmente é lançado”.

(Continue lendo após o “salto”…)

Ironicamente (ou talvez este tenha sido justamente o motivo para a declaração de Iwata), um dos jogos recentes que teve a maior enchente de mídia foi Super Smash Bros. Brawl, da própria Nintendo. O jogo foi mencionado na E3 2005, teve o primeiro trailer exibido na E3 2006 e, a partir de maio de 2007, teve notícias diárias em um blog dedicado. Foram cerca de 300 atualizações ao longo de 11 meses. Quando enfim pude colocar as mãos no jogo, tive a impressão de que já conhecia mais do que deveria. Fico imaginando qual seria minha reação ao descobrir, jogando, cada personagem e golpe. Infelizmente, a alegria da descoberta, aquela doce sensação de voltar à primeira infância, me foi roubada.

Outro bom exemplo de como o exagero de publicidade pode prejudicar a experiência inicial com o produto é Metal Gear Solid 4. Durante quase três anos, Kojima e sua equipe produziram cerca de uma dúzia de trailers, alguns com mais de 15 minutos, exibindo personagens, cenas de ação e cenários diversos. Por mais que você não consiga, obviamente, ter noção do desenrolar da trama através de vídeos promocionais, trechos importantes deles passeiam entre o seu consciente e o seu inconsciente e se alojam em um e em outro, arruinando o efeito de surpresa que algumas cenas poderiam causar no produto final.

Alguns jogos, por mais que tenham ciclos de desenvolvimentos extensos e sejam divulgados com bastante antecedência, não são vítimas graves desse mal. É o caso dos jogos da série Final Fantasy e de muitos outros RPGs, que costumam ter apenas uma premissa básica revelada, bem como detalhes vagos de protagonistas e antagonistas. Áreas avançadas geralmente não são exibidas e as reviravoltas da trama não são nem de leve aludidas. A experiência final do jogador é preservada.

O Team ICO da Sony também costuma mostrar apenas o necessário. Foi assim com ICO, com Shadow of the Colossus e, agora, com seu próximo projeto, do qual só temos uma arte conceitual – e isso bastou para despertar o interesse, sem hiperbolismos. E o que dizer da Rockstar Games? Conhecemos seus projetos com bastante antecedência, mas só vamos ver as primeiras telas e vídeos dois ou três meses antes do lançamento.

Há diversas maneiras de divulgar produtos e gerar percepção, mas nem todas respeitam a castidade dos consumidores (ou mesmo os anseios da equipe de criação, em alguns casos). Se todos os departamentos de publicidade planejassem com mais cautela o que e quando deveria ser mostrado, valorizando relevância e não quantidade, nosso primeiro contato com os jogos seria mais epifania e menos déjà-vu.

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19 Respostas to “Íntegras: Máquina do Hype [GameMaster 43, 08/2008]”

  1. diogo said

    muito interessante o artigo fabao. tb sinto q a vida moderna (internet e outros) tem transformado o universo gamer, havendo uma crescente necessidade de informacoes por parte dos gamers. infelizmente, essa ansia por novos dados sobre “aquele” jogo termina por lhe tirar parte do encanto.

  2. Hunterpiro said

    (Mais um) ótimo texto, Fabão!

    É o que fico me perguntando: até que ponto estamos chegando? Será que não estamos sedentos demais por informações, telas e detalhes – sem nos dar conta de que isso estraga a experiência do jogo?

    Eu particularmente não conheço ninguém que leia o final de um filme para depois ir no cinema assistí-lo; O mesmo vale para os games – fora a tortura de saber de um game e esperar, esperar, esperar…. vide SSBB, TLoF: TP, e por aí vai (favor desconsiderar Duke Nukem Forever: esse talvez nem chegue).

    Se bem que vai de cada um se “hypar” ou não; Abaixo os spoilers! xD

  3. O pior nem é quando o hype te faz saber mais dobre um jogo do que tu deveria quando vai jogá-lo. O pior é que quando ele implanta uma percepção errada do jogo. Dou dois exemplos: Alone in The Dark (o novo) e Second Life (que não é bem jogo, mas tá valendo).

    Com ambos foi a mesma coisa. Um puta hype positivo até certo ponto, fazendo com que todo mundo achasse que eram maravilhosos, mudariam o mundo e curariam o câncer. No momento seguinte, o hype se tornou oposto, causando a percepção que são duas mais maiores porcarias inúteis que o homem já criou. Quando na verdade são produtos bacanas, que, ainda que não sejam pérolas de seus nichos, podem agradar a uma boa parcela de gente.

    Em resumo: se o hype inicial não nos tivesse feito acreditar que eram maravilhosos, a impressão que teríamos hoje não seria tão ruim.

    Pra mim esse é o maior impacto negativo do hype.

  4. Gaba said

    Concordo com o que o Fabio Bracht disse.

    É só ver o caso de Too Human, que logo que saiu as primeiras analises foi apelidado de Too Bomb.

  5. Maiquinho said

    isso só acontece pq tem publico pra isso
    senão ninguem revelava nada
    não é o meu caso

    eu costumo me informar apenas do absolutamente necessário
    identifico os jogos q me interessam, espero eles sair, leio reviews (bem pouco) e dae vou jogar conhecendo um minimo do jogo

    é o caso do Infinite Undiscovery, q vai sair daqui a poko pra 360
    só sei quem são os criadores, e isso me bastou pra desejar o jogo. olhei algumas screens pra ter uma ideia de como vai ser o grafico, e parei por ae. quando sair reviews, vo da uma olhada nas notas e assistir 1 ou 2 video reviews. vou jogar sabendo, no maximo, o nome do personagem principal :p

    mas, as vezes, tem uns previews q merecem ser lidos
    o q mais me marcou em tempos recentes foi o de FF12 do Doulgas na SDP
    eu nao sabia quase nada do game. aquele texto me deu toda a base necessária pra entender bem a história. inclusive, talvez até por causa dele q eu nao tenha gostado tanto, imaginava q seria bem melhor, conforme publiquei la no blogeek :p

  6. É o que o Fábio falou: muitas vezes não só o hype excessivo, mas principalmente o hype equivocado acaba destruindo a projeção daquela mídia quando lançada.

    E isso não acontece só nos games: a propraganda feita por aqui na época do filme “A Vila” foi uma das coisas mais equivocadas que já se têm notícia. Resultado: muitos acabaram odiando o filme (que eu acho maravilhoso), por conta desse hype.

  7. Realmente o hype “às vezes” é prejudicial para um game ou um produto específico. Alone The Dark por exemplo; tanto Hype para um jogo que não chega ser regular. Acreditem ou não tive impressão parecida com Halo 3. A publicidade foi grande, mais tão grande quanto o próprio jogo. Calma! Halo 3 não é ruim, pelo contrário é um baita jogo, porém por todo hype criado, Halo 3 era para ser a obra prima dos FPS, mas desculpe o mais fanático, não é!

    Agora sobre o planejamento de Publicidade, quem torna determinado produto algo cansativo antes mesmo dele sair, é a própria empresa criadora. Talvez seja simplesmente em acreditar que aquele “Jogo” tem que estar em evidência sempre, já que hoje em média um jogo “bom” não demora menos que 3 anos para ser feito, fora o medo de perder dinheiro que é tão grande, quanto de saber se ele vai ser bom ou não. O Sr. Satoru Iwata acertou em cheio, o jogo torna-se velho antes mesmo de chegar às prateleiras.

    E por fim acho Hype um mal necessário, mas não como é feito hoje. Ter que ser dosado com menos apelação e mais inteligente.

  8. Motivo pelo qual, mesmo assistindo à distância, acho que essa E3 deve ter sido bem bacana pra quem pôde ir. A notícias geradas pelos jornalistas presentes foram quase que exclusivamente focadas em “hands-on”, uma chance real de testar o game e passar algumas primeiras impressões mais sólidas do que apenas anúncios de novos lançamentos, ou novas mecânicas conceituais ou badulaques ligados aos games.

    Acompanhar notícias de games hoje em dia é foda, minha cabeça quase chega a explodir – e isso usando e abusando dos feeds, imagine sem eles. Se o volume de informação na web 2.0 já é grotesco em qualquer editoria, na de games acho que passa dos limites aceitáveis como saudáveis para o cérebro humanos. Tem dias que me sinto como um borg apenas assimilando informações, mas sem conseguir interpretá-las e/ou digeri-las.

    Tá feio o negócio, se alguém tiver um método eficiente escreva-me por favor :p

  9. Uehara said

    Na minha opinião, na maioria das vezes, quem cria o hype é a mídia (jornalistas de games), além de nós mesmos, gamers. O objetivo da propaganda é justamente mostrar as qualidades do produto. Odeio aqueles teasers que só nos dão alguns flashes desconexos e uma frasezinha clichê. Como vamos saber se o dinheiro investido no jogo vai valer a pena ou não se não soubermos nada sobre o bendito?

    É aí que entra o hype. As produtoras soltam um trailer ou algumas informações, e lá vai o povo em sites/blogs/fóruns berrar pro mundo como o futuro lançamento vai ser o melhor jogo do ano. Sei como é, EU mesmo faço isso. Não tem como não se empolgar.

    Pro bem ou pro mal, eu digo que o hype existe porque nós o criamos, e somos os culpados pela decepção gerada por causa dele. A única coisa que podemos fazer é torcer pros lançamentos fazerem jus ao hype que os precedem.

  10. Victor said

    O Hype tem muito a ver com a internet, onde temos muitas informações na hora em que queremos e, também, no volume que quisermos. Acho que essa disponibilidade é até legal, incentiva a curiosidade… mas a curiosidade é uma faca de dois gumes. Se te incita a saber mais e mais, te tira o prazer da descoberta. Imaginem como seria Final Fantasy VII ou o projeto do primeiro Resident Evil nos dias de hoje: todos saberíamos todos os detalhes de como o FFVII teria CGs, como ele seria em 3D e de como seria o sistema das Materia, o que, com certeza, tiraria um pouco do charme que esse jogo tem hoje nos fãs. Imaginem o RE: saberíamos de flashes da trama, da variação no inimigos e teríamos vídeos com jogabilidade e etc.

    Isso estraga a surpresa e esse conceito de “quanto mais, melhor” no campo da informação poderia ser re-visto pelas pessoas, para o bem da nossa saúde mental. Eu mesmo vou procurar filtrar mais as coisas, e agradeço ao Fabão por mostrar que não sou o único que se sente “violado” pelo Hype. =]

  11. Não conhecia seu blog, Fabão, e tive uma ótima impressão por esse excelente texto, que tem muito do que eu penso sobre publicidade exagerada em games.

    Passei pela mesma experiência com Smash Bros: Quando o joguei, sabia, praticamente, tudo o que esperar de cada personagem. Não me cansei até hoje de jogá-lo, confesso, mas se tivesse acontecido alguma surpresa, teria sido mais fantástico.

    Essa falta de surpresa acontece com mais frequência, quando trabalhos no meio jornalístico: Você corre atrás de notícias de um game, fica sabendo tanto que, quando joga, fica sem graça.

    Gostei daqui e vou visitar sempre!
    Um grande abraço!

  12. hardwaregames said

    Oi Fabão!

    Primeiro quero dizer que acompanho você como “profissional dos games” desde seu início na EGM Brasil… sempre gostei do seu “modo de enxergar” o mundo gamer… Leio revistas, sites e adoro ser um gamer, busco sempre informações sobre as tendências, movimentos do mundo “hardgames”…

    Acho que sua matéria/post está correta, atualmente perdemos e muito do “frescor” das descobertas… acho que muitos jogos também deixam de ser referência de público e crítica quando são lançados porque se tem a impressão que não é “novo”…

    Me desculpe um pouco meus devaneios…rsss… às vezes quero falar tanto e me enrolo na hora de escrever… não tenho o dom da palavra como você… Ah! E manda da GameMaster te dar mais espaço na revista! 🙂

    Abs!
    Alexandre Werther (blogueiro iniciante)

  13. Coutinho said

    Ae Fabão ótimo post !

    Com certeza 90% do hype vem da internet.

    Lembro me muito bem a época que as informações dos games vinham só das revistas, as capas e matérias (mesmo as vezes sendo grandes) nao mostravam tanto como um video de 30 segundos mostra hoje.

    Eu ficava ansioso e muito , hoje eu só dou uma olhada no jogo acabo enjoando rapido dele…

    Assasins Creed, Alone in the Dark e agora Too Human.. são ótimos jogos mas antes de lancarem eu achava, como muitos, que iam ficar para a história.

    E acrescentando ao que o Bruno disse, eu até fico chocado alguns dias de tantos videos e noticias que saem e eu me sinto obrigado a ler e ver tudo.

    Agora parece que tem feira de games a cada semana sempre surge uma sigla 2008 e vários videos e screens novos.

    Abraco galera

  14. geraldofigueras said

    Fabão, bem assinalado esse mal atual. É o uso errado da tecnologia, a falta de orientação e diálogo entre a produção do jogo e a comunicação do produto. É por isso que diretor de jogo deve se envolver também no marketing, pois todo o conceito criado por ele pode ser prejudicado devido a uma campanha desastrosa.

    Todos os jogos citados anteriormente são belos exemplos dessa situação. Não é porque temos banda larga e hdtvs que somos obrigados a assistir vídeos de 50 minutos de um jogo ainda não lançado.

    Sabe qual a melhor solução para isso, do ponto de vista do consumidor? Bom senso. Afasta-te (!) da tentação. Foi o que fiz com MGS4. Vi o trailer inicial, alguns minutos do demo, e só. Já é o suficiente para saber que se trata de um clássico, de que vou jogar de qualquer maneira.

  15. brunobelo said

    Essa é a intenção do sub-jogos, mostrar que o povo exagera em hype e que, no final das contas, algumas “pérolas”, segundo a imprensa, nada mais são que simples jogos insossos. Galaga Legions é um exemplo e Ninja Gaiden 2 é outro…

  16. […] sei se a tática das atualizações diárias no site oficial do Super Smash Bros. Brawl funcionou e estragou eventuais surpresas, mas acredito que o método adotado pelo PS 2008 de anunciar faixa por faixa, relembrando […]

  17. […] sei se a tática das atualizações diárias no site oficial do Super Smash Bros. Brawl funcionou e estragou eventuais surpresas, mas acredito que o método adotado pelo PS 2008 de anunciar faixa por faixa, relembrando […]

  18. […] isso só pode ser uma estratégia da produtora para não revelar muitos detalhes do enredo e estragar a surpresa dos jogadores. Mas acho que só revelar o nome não teria nenhum […]

  19. и всё эе: благодарю!!

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