Gamer Lifestyle

O blog do Fabão

Íntegras: Devolvam-me 2005 [GameMaster 36, 01/2008]

Posted by Fabão em 14 maio, 2008

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Essa foi a minha coluna de “virada de ano” para a GameMaster, mas me parece muito apropriado republicá-la agora. Logo menos explico os porquês. Por ora, fique com o texto (tendo em mente que foi publicado em janeiro desse ano).

Devolvam-me 2005

Não me interprete mal. 2007 foi, indiscutivelmente, um dos melhores anos na história dos videogames. É impossível questionar o potencial de influência de Super Mario Galaxy, BioShock e Portal; ou a personalidade de Zack & Wiki, Folklore e Odin Sphere; ou a qualidade de Call of Duty 4, Mass Effect e Uncharted. Tivemos ainda Rock Band, Halo 3, Zelda: Phantom Hourglass, God of War II, Heavenly Sword, Crysis e mais inumeráveis ótimos jogos que cobrem todos os gêneros em todas as plataformas. Não, definitivamente eu não poderia criticar o bom e já saudoso 2007.

Por que, então, o clamor pelo retorno de 2005? Explico. Em intervalos mais ou menos regulares, a indústria de games atinge culminâncias de inspiração. 2005 nos trouxe um desses surtos criativos. Foi o ano da reinvenção de uma série com Resident Evil 4, do nascimento de franquias de ouro com God of War e Guitar Hero, da sofisticação gráfica de títulos como Soul Calibur III, Gran Turismo 4 e F.E.A.R., mas, principalmente, foi o ano da experimentação. Poucas vezes um intervalo de 12 meses conseguiu abarcar tanta ousadia, tanta atitude, tanto… talento despudorado. Pudemos rolar uma bola por cima de planetas em We Love Katamari, escalar gigantes em Shadow of the Colossus, girar o controle para fazer a comida conhecer a cadeia digestiva em WarioWare Twisted, jogar como mocinho e bandido da mesma trama em Indigo Prophecy, controlar sete personalidades assassinas de um paraplégico em killer7, contrair três ou quatro matérias de estudo de Freud em Animal Crossing: Wild World, vasculhar mentes complexadas em Psychonauts, caramba!, até mesmo recolher cocô de cachorro em Nintendogs!

Esse fenômeno costuma acontecer três ou quatro anos após a transição de uma geração de consoles domésticos para outra, quando os programadores têm intimidade absoluta com os hardwares, e os designers, ciência de como utilizar os recursos das novas plataformas – base instalada para justificar o inesperado a executivos também ajuda. É quando ninguém mais está se preocupando em mostrar o quão grande pode ser um sprite, o quão reflexiva pode ser uma superfície ou quantos personagens podem haver na tela ao mesmo tempo, só porque é possível. Quando o que importa, de verdade, é a criatividade.

Se a progressão se mantiver verdadeira, viveremos um 2008 de jogos muito criativos, que abrirá caminho para o pico de originalidade em 2009. E, se o respeitoso 2007 já trouxe muitas das características dos apogeus de inovação do passado, o que as mentes imprevisíveis dos brilhantes designers de jogos estão preparando para o próximo ciclo revolucionário? Alguém aí arrisca algum palpite para o “sucessor espiritual” de 2005?

Mais depois do “Leia mais”…

E, a quase meio caminho andado, 2008 já começa a mostrar seu valor. Sem me deter no que de bom já foi lançado (Super Smash Bros. Brawl, Gran Theft Auto IV e Gran Turismo 5 Prologue, para citar três), vou pinçar algumas notícias sobre os jogos com o maior potencial do ano (ou do ano que vem, dependendo do caso), a meu ver. Detalhe: todas as notícias são de ontem e hoje! Que dias foram esses!?! Quebrando a monotonia das semanas passadas, os ventos de maio vêm trazendo de volta o espírito do defunto conhecido por E3. Como no ano passado, as empresas têm ignorado que o evento passou para julho, mantendo o quinto mês como a época de revelações. Aqui estão algumas das que me empolgaram nas últimas 48 horas:

Uma tempestade chamada MGS4:
New, New, New MGS4 Trailers [Kotaku]
Metal Gear Solid 4 Intro Movie [Kotaku]
The First 10 Minutes Of Metal Gear Solid 4 [Kotaku]
Cobertura do evento de conclusão do desenvolvimento [GPara, japonês]
Cobertura também [ITmedia +D Games, japonês]
Colaborações de outras empresas em MGS4 [GPara, japonês]
As melhores fotos do evento [Game Watch Impress, japonês]
Konami Already Hinting at Metal Gear Solid 5? [1UP.com]
Artwork do dia: MGS4 pôster [Hadouken]

Parceria entre Platinum Games (ex-Clover da Capcom) e Sega:
See first vids of Platinum’s MadWorld and Bayonetta [update] [Joystiq]
[Confirmado] Platinum Games e Sega juntas com três projectos [eNe3, com vídeos]
Scans dos jogos da Platinum Games [eNe3]

Revelação de Banjo-Kazooie: Nuts & Bolts (interessante, mas com ultrajante desfecho no trailer):
First gameplay footage of Banjo-Kazooie: Nuts & Bolts [Destructoid]

Mais conteúdo do evento da Microsoft (pena não ter Alan Wake):
See Gears of War 2, Too Human, Viva Piñata 2, Banjo-Kazooie 3 in new video [Joystiq]

Rock Band Guitar Hero IV:
Game Informer snags first pic of Guitar Hero IV drums [Joystiq]

Inazuma Eleven, o jogo de RPG futebolístico da Level-5 (Dragon Quest VIII, Professor Layton) para DS:
Inazuma Eleven será, além de jogo para DS, mangá, anime e card game [Gpara, japonês]
Inazuma Eleven looks sharp in motion [Siliconera]

Nintendo revela Pokémon Cashcow Platinum:
Let me show you Pokemans Platinum: My Pokemans Platinum, let me show it to you [Destructoid]

Novidades de Resident Evil 5:
Novas imagens e informação de Resident Evil 5 [eNe3]

Novo Castlevania para DS por IGA-san: Order of Ecclesia:
Images Castlevania OoE [Jeux France]

Bônus: dois vídeos de Jubeat, o novo e inovador arcade bemani da Konami:
Two new Jubeat location test videos [Arcade Renaissance]
Vídeos aqui e aqui [YouTube]

Como o Gamer Lifestyle não é um blog de notícias, explico o bloco de links: foi apenas para fundamentar o texto publicado na edição de janeiro da revista GameMaster, que encabeça este tópico. 2008 já ensaia aquele arroubo criativo que mencionei e que, penso, só virá em sua plenitude em 2009, com resquícios ainda em 2010 [assim como considero Okami e Ryu ga Gotoku/Yakuza jogos com cara de 2005 (e de fato Ryu ga Gotoku é, mas apenas no Japão, e dos últimos dias)].

E você, o que pensa desses “picos de criatividade”? Quais foram, na sua opinião, os melhores anos dos consoles que já teve? Quais são suas perspectivas para 2008/2009? Utilize o espaço aí embaixo. 😉

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10 Respostas to “Íntegras: Devolvam-me 2005 [GameMaster 36, 01/2008]”

  1. Hm, nunca tinha reparado nesse ciclo. Faz sentido mesmo. Mas, sei lá, especialmente nesses últimos dias eu já fico meio zonzo só de pensar nos próximos seis meses, que dirá no ano que vem!

    Esse Banjo-Kazooie novo zoou o meu cérebro, cara. Já vi os vídeos um milhão de vezes e ainda não sei o que pensar.

    Mas ow, esse foi o melhor post da fase recente do GLS.

    Ih, olha só. Tu já reparou que a sigla do Gamer LifeStyle é igual à do movimento de Gays, Lésbicas e Simpatizantes? Eu nunca tinha reparado.

  2. Fabão said

    Oh não, alguém descobriu! 😛
    Mas sério, Bracht, na realidade, “lifestyle” em inglês é uma palavra só, com “s” minúsculo mesmo. É que estamos acostumados com o português, em que “estilo de vida” são duas palavras mais preposição. Daí, a sigla daria “GL”.
    Ou seja, aqui só têm vez gays e lésbicas; simpatizantes, não. 😛

  3. Uehara said

    Caramba, 2008 tá sendo O Ano dos Games, pelo menos pra mim. Não paro de ser surpreendido por bons jogos. Que esse ano seja lembrado como o ano em que tivemos Mario e Sonic trocando socos. Ou o ano do triunfal desfecho da série Metal Gear Solid. Ou o ano do recorde de GTA IV. Ou o ano de… muita coisa.

    Sendo menos geral e mais pessoal, também adorei No More Heroes, tivemos Pro Evolution Soccer pela primeira vez no Wii com jogabilidade totalmente diferente, teremos Sonic de volta às origens, The King of Fighters finalmente com gráficos decentes… e ainda nem chegamos na metade do ano. Caramba.

    PS: nada de simpatizantes? Droga!

  4. Fabão said

    E na linha do No More Heroes, pelo menos na atitude, teremos ainda o fantástico MadWorld, Uehara. Agora o KOF XII eu suspeito que vá ficar para o ano que vem, assim como Street Fighter IV. Por essas e outras é que eu acho que 2009 será o verdadeiro Ano dos Games. É nele que veremos Alan Wake (aposto tanto, mas tanto nesse jogo), Heavy Rain da Quantic Dreams (de Indigo Prophecy), Final Fantasy XIII, fora os AAA da Nintendo, que anda suspeitosamente quieta… ^_^

    PS: zoeira, aqui é um espaço democrático: têm voz heteros, homos, bis, pans, trans, metros, übers e os que mais quiserem se expressar. 😛

  5. Maiquinho said

    eu tb achei 2005 o melhor ano da geração passada
    eu lembro quando comprei a edição nº 29 da SDP q tinha detonado de Dragon Quest 8, Resident Evil 4 e Soul Calibur 3 na mesma revista

    quanto custou?
    5 reais husasuasuah
    melhor do q isso só quando comprava a gamers por 3 :p

  6. Fabão said

    Esse Maiquinho é o meu tipo de leitor! 😛
    Estou gostando também de ser seu leitor. Keep up the good work on Blogeek. 😉

  7. Alexei said

    Posso ter cometido alguma injustiça ou omissão, mas creio que os melhores anos foram esses (nostálgico como sou, não haveria como não voltar mais ainda no tempo:P), sem falar dos já mencionados 2005 e 2007:

    1986: The Legend of Zelda, Metroid, Kid Icarus, Dragon Quest, Out Run e Castlevania;

    1987: Street Fighter, Mega Man, Metal Gear, Final Fantasy e Contra;

    1994: Super Metroid, Donkey Kong Country e Final Fantasy VI;

    1996: Super Mario 64, Tomb Raider, Nights into Dreams… e Resident Evil;

    1997: GoldenEye 007, Final Fantasy VII, Gran Turismo e Castlevania: Symphony of the Night;

    1998: Metal Gear Solid e The Legend of Zelda: Ocarina of Time;

    2004: GTA: San Andreas, Metal Gear Solid 3: Snake Eater e Half-Life 2.

    Acho que nada se compara, em termos de nascimento de séries, aos imbatíveis anos de 1986 e 1987, enquanto 1996 e 1997 foram marcados por muitos jogos revolucionários. Então não sei dizer qual o melhor…:S

    Ah, Fabão, lembro que o Rogue Galaxy é de 2007, apesar de ter saído no Japão em 2005. De qualquer jeito é mais um a enriquecer a lista.

  8. Fabão said

    Bela lista, Mestre Barros! Realmente você citou apenas anos muito produtivos. E perceba como 1996 é atípico: apesar de participar ainda da fase de nascimento de uma geração (o que é discutível, se você considerar que o 3DO e o Jaguar deram o pontapé inicial já em 1993), ele deu à luz pérolas como as que você citou. Foi a época de transição do 2D para o 3D e do cartucho para o CD, a última passagem de geração realmente significativa. Daí seguiram-se mais dois anos progressivamente mais profícuos. Foi o milagre da dimensão extra, da mudança de filosofia. O mesmo fenômeno (render jogos emblemáticos logo de cara) não aconteceu com as outras duas gerações pelas quais passamos desde então.
    Quanto ao período clássico, é difícil definir um período de auge. No NES, acho que o ano mais importante foi 1988, com um conhecimento mais profundo do hardware, a introdução da bateria para gravação de progresso (conquista de 1986, com Zelda), o bank switching aumentando efetivamente a capacidade de armazenamento dos cartuchos, os chips MMC oferecendo novos recursos (note que essas três últimas proezas que citei foram todas graças a Genyo Takeda e sua equipe R&D3) e, consequentemente, os designers sendo desafiados pelas novas possibilidades. Esse cenário perfeito produziu, em 1988, Contra, Dragon Quest III (de longe o melhor da era 8-bit), Captain Tsubasa (primor de cutscenes, muito antes de Final Fantasy saber o que é isso), Bionic Commando (que mereceu ser revivido agora), Famicom Wars (o precursor do atual Advance Wars), Ninja Gaiden (com trama contada de maneira cinematográfica), Mega Man 2 (já com os moldes que o consagraram) e, acima de tudo, o onipotente, imortal e paradigmático Super Mario Bros. 3 (todos lançamentos referentes ao Japão).
    Da era 16-bit, não tem como fugir de 1994 e suas crias especiais. Além da trinca que você citou, que já basta para eternizar o ano, tivemos o petardo Super Street Fighter II nos consoles, o lock-on de Sonic & Knuckles, Beyond Oasis (o “Zelda do Mega Drive”, com trilha de Yuzo Koshiro), Lunar Eternal Blue (no Mega CD japonês), Motal Kombat II, Mother 2 (depois Earthbound nos EUA), Nosferatu (duvido que alguém se lembre desse concorrente de Prince of Persia)…

  9. Alexei said

    Mestre Fabão, depois de tudo o que você arrolou do ano de 1988 fico até envergonhado por não tê-lo mencionado, hehe. De cabeça só me recordava do onipotente, imortal e paradigmático (assino embaixo) Super Mario Bros. 3.

    Opa, eu lembro do Nosferatu! A única coisa que me irritava era o limite de tempo. Armadilhas, espinhos, lobisomens e monstros já não ofereciam desafio suficiente? Precisava existir aquele maldito contador? 😀

  10. […] três gigantes para a E3 2008 e, penso, foi um marasmo comparando-se aos anos passados. Eu esperava muito mais. Só uma grande surpresa? […]

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